Quando um casal demora a engravidar, ainda é comum que a atenção recaia primeiro sobre a mulher. Mas os dados contam outra história: o fator masculino está presente em cerca de metade dos casos. Entender isso, sem culpa nem tabu, é o primeiro passo para investigar do jeito certo.
O fator masculino responde mesmo por metade dos casos?
Sim. O fator masculino contribui em cerca de metade dos casos de infertilidade do casal, segundo entidades de referência como ASRM e ESHRE. Às vezes ele aparece sozinho, às vezes somado a um fator feminino, mas o número é consistente e bem estabelecido.
A consequência prática é direta: a investigação precisa incluir o homem desde o começo, lado a lado com a avaliação da mulher. Deixar isso para depois costuma atrasar o diagnóstico e adiar decisões que poderiam ser tomadas com mais tempo a favor. Não há nada de constrangedor nesse exame. É cuidado, como qualquer outro.
Como se investiga a fertilidade masculina?
A porta de entrada é o espermograma, um exame simples que analisa três aspectos principais dos espermatozoides: concentração (quantos existem), motilidade (como se movem) e morfologia (qual o formato). Já é o suficiente para indicar se há alguma alteração que mereça atenção.
A partir do resultado, e do histórico de cada pessoa, outros exames podem entrar:
- Teste de fragmentação do DNA espermático, que avalia a integridade do material genético dos espermatozoides
- Dosagens hormonais, para checar o eixo que comanda a produção
- Exame físico, que pode identificar uma varicocele, por exemplo
- Avaliação genética, indicada em casos específicos
Vale lembrar que um único espermograma alterado nem sempre fecha um diagnóstico. A produção varia, e é comum repetir o exame depois de algumas semanas antes de qualquer conclusão.
Quais são as principais causas?
As causas são variadas, e boa parte delas tem caminho de tratamento. Entre as mais frequentes:
- Varicocele — dilatação das veias do escroto, uma das causas tratáveis mais comuns
- Alterações hormonais — desequilíbrios que afetam a produção de espermatozoides
- Infecções — quadros que podem comprometer a qualidade seminal
- Fatores genéticos — alterações herdadas que interferem na fertilidade
- Hábitos e exposições — tabagismo, calor excessivo na região e contato com toxinas
- Azoospermia — ausência de espermatozoides no ejaculado, que pode ser obstrutiva (há produção, mas o trajeto está bloqueado) ou não obstrutiva (a produção em si está reduzida)
Identificar a causa muda o plano. Algumas situações melhoram com mudança de hábitos ou tratamento clínico; outras pedem uma abordagem em laboratório. O ponto é que conhecer a origem abre opções.
O que o laboratório pode fazer pelo fator masculino?
Muita coisa, e é aqui que a tecnologia faz diferença. Mesmo diante de uma amostra com poucos espermatozoides ou de qualidade reduzida, o laboratório dispõe de recursos para extrair o melhor dela.
O preparo seminal (também chamado de capacitação) já é uma etapa que seleciona os espermatozoides mais aptos. A partir daí, há técnicas de seleção avançada:
- Zymot — separa os espermatozoides por microfluídica, sem centrifugação, num ambiente que privilegia os mais íntegros
- SiD — seleção de espermatozoide por inteligência artificial em tempo real durante o ICSI, que ajuda o embriologista a escolher, entre os candidatos, os de melhor aspecto no momento da injeção
Na azoospermia, quando não há espermatozoides no ejaculado, existe a recuperação cirúrgica: procedimentos como PESA, TESA e micro-TESE buscam espermatozoides diretamente no epidídimo ou no testículo, viabilizando o tratamento em parte dos casos. E há ainda a criopreservação de sêmen, indicada para preservar a fertilidade antes de quimioterapia, radioterapia ou vasectomia.
Tecnologia não substitui o diagnóstico. Ela amplia o que é possível depois que se entende o cenário de cada casal, e dá ao embriologista ferramentas mais finas para trabalhar com a amostra disponível.
Por que a ICSI é tão importante nesses casos?
Porque ela muda a escala do que é necessário. Na fertilização in vitro convencional, é preciso uma quantidade razoável de espermatozoides móveis para que a fecundação aconteça. Na ICSI (injeção intracitoplasmática), basta um único espermatozoide viável para cada óvulo, injetado diretamente nele pelo embriologista.
Para o fator masculino grave, isso é decisivo. Quando há poucos espermatozoides, ou quando a qualidade é baixa, a ICSI contorna boa parte do obstáculo, e as técnicas de seleção como Zymot e SiD entram para ajudar a identificar os melhores candidatos. É a combinação entre uma técnica que precisa de pouco e ferramentas que escolhem bem.
O que fica de mais importante
O fator masculino é comum, frequente como o feminino, e na maioria das vezes tem caminho. O essencial é não tratar a fertilidade como assunto de uma pessoa só: investigar em conjunto, homem e mulher, desde o início. Se vocês estão nessa jornada, um espermograma é um passo simples e um bom lugar para começar, sem peso e sem julgamento.
Você também pode se perguntar
O fator masculino é mesmo responsável por metade dos casos?
Sim. O fator masculino contribui em cerca de metade dos casos de infertilidade do casal, isoladamente ou somado a um fator feminino. Por isso a investigação deve incluir o homem desde o começo, em geral pelo espermograma.
Quais exames avaliam a fertilidade masculina?
A avaliação começa pelo espermograma, que analisa concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Conforme o caso, pode incluir teste de fragmentação do DNA espermático, dosagens hormonais, exame físico (para investigar varicocele, por exemplo) e avaliação genética.
Quem tem alteração grave no espermograma consegue ter filho?
Em muitos casos, sim. A ICSI permite fecundar cada óvulo com um único espermatozoide viável, e técnicas de seleção como Zymot e SiD ajudam a escolher os melhores. Mesmo na azoospermia, há recuperação cirúrgica de espermatozoides em parte dos casos.
Vale congelar o sêmen antes de algum tratamento?
Sim, quando há risco à fertilidade futura. A criopreservação de sêmen é indicada antes de quimioterapia, radioterapia, cirurgias e vasectomia, preservando a possibilidade de ter filhos biológicos mais adiante.

