Ao longo de um tratamento de fertilização in vitro, é comum surgir a dúvida sobre testar geneticamente os embriões antes de transferi-los. O PGT-A é justamente essa avaliação, e ele costuma gerar tanto esperança quanto confusão. Vale entender com calma o que o teste faz, para quem ele foi pensado e, com a mesma honestidade, o que ele não promete.
O que é o PGT-A?
O PGT-A é o teste genético pré-implantacional para aneuploidias, ou seja, um exame que avalia o número de cromossomos dos embriões antes da transferência. A ideia é simples de explicar: cada embrião deveria ter 46 cromossomos, e o teste verifica se essa contagem está dentro do esperado.
Embriões com o número normal de cromossomos são chamados de euploides e têm maior chance de implantar e menor risco de aborto. Já os embriões com número alterado, os aneuploides, costumam não implantar ou levar a uma perda gestacional. A maior parte dessas alterações acontece ao acaso, durante a formação do embrião, e tem relação importante com a idade dos óvulos.
Como o teste é feito durante a FIV?
A biópsia acontece quando o embrião chega ao estágio de blastocisto, por volta do quinto ou sexto dia de cultivo. Nesse momento, retiram-se algumas células da camada externa, o trofectoderma, que é a parte que daria origem à placenta, e não ao bebê em si. Essas células são enviadas para análise genética.
Como o resultado leva alguns dias, os embriões ficam vitrificados, isto é, congelados com segurança, enquanto se aguarda o laudo. A transferência é feita depois, em um ciclo programado, no que chamamos de transferência de embrião congelado (FET). Esse intervalo permite escolher com mais informação qual embrião transferir primeiro.
Na Avenues, podemos cultivar todos os embriões em incubadoras com tecnologia de time-lapse, que registram o desenvolvimento de forma contínua sem precisar tirar o embrião da estufa. Nesses embriões, o CHLOE avalia o desenvolvimento a partir desse registro; quando o cultivo não é em time-lapse, o ERICA classifica os embriões a partir da imagem, por potencial de ser euploide e de implantar. Vale deixar claro: essas ferramentas complementam a análise dos embriologistas e do PGT-A, e não substituem o teste genético nem o julgamento clínico da equipe.
Para quem o PGT-A costuma ser indicado?
A indicação do PGT-A é sempre individual e nasce de uma conversa entre o casal e a equipe, não de uma regra automática. Ainda assim, existem situações em que ele costuma ser considerado com mais frequência:
- Idade materna avançada, quando a chance de alterações cromossômicas é naturalmente maior
- Histórico de dois ou mais abortos, o chamado aborto de repetição
- Falhas repetidas de implantação em ciclos anteriores
- Fator masculino grave
- Histórico de alterações cromossômicas na família ou em gestações anteriores
Mesmo nesses cenários, o teste não é obrigatório. Ele é uma possibilidade a se pesar, levando em conta o número e a qualidade dos embriões, a história do casal e os objetivos do tratamento.
O PGT-A é para todo mundo?
Não, o PGT-A não é indicado para todos os casos de FIV. Em algumas situações ele agrega pouca informação, e em outras pode até não compensar, por exemplo quando há poucos embriões disponíveis e o teste reduziria as opções de transferência sem um ganho claro.
Há ainda um resultado que merece atenção e bastante conversa: o embrião mosaico. É um laudo intermediário, em que a amostra mostra uma mistura de células normais e alteradas. Esse resultado não é um simples “sim ou não” e exige aconselhamento individual, porque parte desses embriões pode, sim, gerar gestações saudáveis. Por isso a decisão sobre transferir ou não um embrião mosaico é sempre cuidadosa e personalizada.
O PGT-A é uma ferramenta para decidir com mais informação, não um filtro de garantias. Ele ajuda a priorizar, mas quem cuida do tratamento como um todo é a equipe, ao lado de cada casal.
O PGT-A garante uma gravidez ou um bebê saudável?
Não, e essa é a parte mais importante de entender. O PGT-A pode ajudar a escolher qual embrião transferir primeiro, encurtar o caminho até uma gravidez e reduzir o risco de aborto em determinados casos. Mas ele não garante que a gravidez vai acontecer e não garante um bebê saudável.
O teste olha para o número de cromossomos em uma amostra de células, o que é valioso, porém limitado. Existem condições que ele não avalia, e a implantação depende de muitos outros fatores além da genética do embrião. Por isso, o PGT-A nunca substitui o acompanhamento pré-natal, que segue sendo essencial em qualquer gestação.
PGT-A, PGT-M e PGT-SR: qual a diferença?
São três testes pré-implantacionais com objetivos distintos, e é comum confundi-los. O PGT-A, foco deste texto, analisa o número de cromossomos para identificar aneuploidias. O PGT-M investiga doenças monogênicas hereditárias, ou seja, condições causadas por um gene específico que já se sabe existir na família. O PGT-SR avalia alterações estruturais dos cromossomos, como translocações, em casais que carregam esse tipo de rearranjo.
Saber qual teste faz sentido, ou se algum deles faz sentido, é exatamente o tipo de decisão que vale conversar com a equipe. Se você está avaliando uma FIV e ficou em dúvida sobre o PGT-A, traga suas perguntas para a consulta. Decidir com informação clara, e sem promessas que ninguém pode cumprir, é o melhor ponto de partida.
Você também pode se perguntar
O que é o PGT-A?
É o teste genético pré-implantacional para aneuploidias. Ele avalia o número de cromossomos dos embriões antes da transferência. Embriões com número normal (euploides) têm maior chance de implantar e menor risco de aborto; embriões com número alterado (aneuploides) costumam não implantar ou levar a perda.
Para quem o PGT-A costuma ser indicado?
A indicação é individual. Costuma ser considerado em casos de idade materna avançada, dois ou mais abortos, falhas repetidas de implantação, fator masculino grave e histórico de alterações cromossômicas. Não é um exame para todos os ciclos de FIV.
O PGT-A garante uma gravidez ou um bebê saudável?
Não. O PGT-A ajuda a priorizar qual embrião transferir e pode reduzir o tempo até a gravidez e o risco de aborto, mas não garante que a gravidez vai acontecer, não garante um bebê saudável e não substitui o pré-natal.
Qual a diferença entre PGT-A, PGT-M e PGT-SR?
O PGT-A analisa o número de cromossomos (aneuploidias). O PGT-M investiga doenças monogênicas hereditárias específicas na família. O PGT-SR avalia alterações estruturais dos cromossomos, como translocações.

